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ModaLisboa: a princesa transgressora e o desfile que acabou em festa

todaymarzo 13, 2022

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ModaLisboa: a princesa transgressora e o desfile que acabou em festa

Uma mesa de mistura e uma colecção Outono-Inverno que invoca o estilo sumarento dos anos 90 foram os ingredientes usados por Marta Gonçalves, a criativa por detrás da Hibu, para encerrar o terceiro dia de ModaLisboa de forma triunfante. Um momento um tanto ou quanto inesperado — afinal, cabe habitualmente a um dos veteranos fechar a noite de sábado. Desta vez, a oportunidade foi dada a uma jovem designer da plataforma Lab e, ainda não tinham batido as 23.00, já a sala de desfiles do Hub Criativo do Beato se tinha transformado numa vibrante pista de dança.

 

ModaLisboa 58 Hibu
© Francisco Romão PereiraHibu

 

Vale a pena começar pelo fim, mais precisamente pelo desafio lançado por Marta e pelos seus manequins: “Vamos, vamos! Anda!”. Dezenas foram puxados para o centro da passerelle, à medida que o volume da música aumentava, a luz baixava e que garrafas de espumante estalavam ao fundo. Para a designer, com quem a Time Out conversou dias antes do arranque de mais uma semana da moda, reunir esta comunidade de amigos e clientes é algo vital para a Hibu, marca cuja identidade há muito extravasou o domínio da roupa. Ao final da noite, as conclusões foram duas: dançar é uma necessidade quase fisiológica (adiada por demasiado tempo) e esta marca independente é realmente capaz de mover uma pequena multidão.

Dentro da colecção, uma ode à década de 90, composta por silhuetas baggy, cinturas descaídas e uma paleta pop que inclui verde, lilás e laranja. A ganga, o vinil e os canelados foram os materiais em destaque, numa noite que não acabaria sem que Marta Gonçalves matasse saudades do velho crowd surfing.

Sensualidade e protecção: as prioridades de Buchinho

Sábado, terceiro e penúltimo dia de ModaLisboa, arrancou com um desfile colectivo. Cravo Studios, Inês Manuel Baptista e Filipe Augusto, designers da plataforma Workstation, apresentaram pequenas colecções, feitas à escala dos projectos autorais que continuam a desenvolver. Numa tarde marcada pela intempérie do lado de fora, foi Luís Buchinho o primeiro nome a encher a sala — de convidados e com a atitude confiante com que toma de assalto qualquer passerelle. Se a imagem empodera, nos bastidores, o designer continua a encarar o futuro com reticências.

 

ModaLisboa 58 Luís Buchinho
© Francisco Romão PereiraLuís Buchinho

 

“Quis fazer uma colecção que fosse fiel ao sucesso da anterior, em termos de feminilidade e sensualidade. Entretanto, o Outono ficou muito sombrio — com a Ómicron, uma nova ameaça de confinamento, o fantasma da guerra — e começaram-me a vir outros adjectivos à cabeça: necessidade de protecção, valores intemporais, compras seguras. Aí, surgiu toda uma colecção mais voltada para os agasalhos, mais envolvente, com muitos lanifícios, mas sempre fiel à ideia inicial”, explica.

Os tons frios dominaram o desfile, sobretudo uma escala de cinzas, pontualmente colorida pelo violeta e pelo azul-celeste e aquecida apenas por um intenso (e raro) laranja. Peças de construção complexa, em parte pela mistura de materiais, fizeram desta uma colecção “custosa”, nas palavras do criador. Quanto à manipulação dos tecidos, um território há muito explorado por Buchinho, continua em crescendo. “Estamos a fazer muita pesquisa a nível têxtil e de criação de materiais novos, mas também estamos a trabalhar matérias-primas muito simples e a fazer muitos tratamentos em cima das mesmas — plissados e enrugados que depois são estampados e cortados a laser”.

 

ModaLisboa 58 Luís Buchinho
© Francisco Romão PereiraLuís Buchinho

 

“Em alguns casos, há uma simplicidade muito grande dos moldes”, continua. Um trabalho útil também para dar nova vida a tecidos que estão parados no atelier. Em nome de uma economia de recursos e de valores de sustentabilidade, alguns deles foram integrados na nova colecção. Uma gestão inteligente numa altura em que o futuro continua incerto, embora o cenário pós-pandémico seja cada vez mais uma realidade. Perante uma guerra cujas consequências económicas são inevitáveis, o designer limita-se a constatar a imprevisibilidade do amanhã: “Andamos a ter este género de conversa há dois anos e as coisas vão-se sempre fazendo. Estou aqui agora, não sei se vou estar daqui a meio ano”.

Espectadores digitais, uma princesa rebelde e um regresso à cidade

Há dez a apresentar-se na ModaLisboa, Ricardo Andrez construiu uma linguagem própria. Colecção após colecção, mais do que distintivos, os seus traços são hoje inequívocos. E voltaram a sê-lo, partindo agora do conceito de voyeur digital para adicionar uma dose de workwear à próxima estação fria. “Apliquei detalhes funcionais na roupa que nunca tinha aplicado: fechos invisíveis nas mangas, por exemplo. Esta funcionalidade é importante para mim”, refere.

 

ModaLisboa 58 Ricardo Andrez
© Francisco Romão PereiraRicardo Andrez

 

Ao mesmo tempo que continuidade, coerência e consistência são exigidas a um designer com o percurso de Andrez, o criador dá-se ao luxo das pequenas experiências. A sustentabilidade continua a ser outra das bandeiras da marca — quase 90% da colecção é produzida a partir de stocks parados de tecidos. Enquanto isso, as mais recentes parcerias com a indústria abrem-lhe agora o leque de materiais à ganga reciclada e a novas malhas.

Também Luís Carvalho antecipou o próximo Inverno no último sábado. Depois de uma temporada no campo, o designer regressou às referências urbanas sob a inspiração de Long Term Parking, obra de Armand Pierre Fernandez, nos subúrbios de Paris. “É o oposto do que fiz no Verão passado. É uma colecção muito mais urbana, unissexo, mais cinzenta”, explica o designer, que usou pregas e camadas para aludir à obra de arte em questão. Entre o brilho dos fios de lurex e do vinil e o aspecto nobre dos jacquards, entre as peças de alfaiataria (tanto para homens, como para mulheres) e os vestidos esvoaçantes, Luís Carvalho está de volta à cidade.

 

ModaLisboa 58 Luís Carvalho
© Francisco Romão PereiraLuís Carvalho

 

Já para a Buzina de Vera Fernandes, o ponto de partida foi o espírito transgressor de Diana. A princesa, eternizada como sendo do povo, foi para a marca uma referência de libertação, o sentimento que pairou sobre uma apresentação onde os volumes e o oversized (sobretudo em mangas e ombros) voltaram a dominar e as cores (fúcsia, amarelo e laranja) prometeram aquecer o ambiente.

 

ModaLisboa 58 Buzina
© Francisco Romão PereiraBuzina

 

No mesmo dia, também Olga Noronha voltou a ocupar lugar no calendário do evento. No caso, com uma performance ao ar livre que nem a chuva conseguiu demover. A 58.ª edição da ModaLisboa termina este domingo. São esperados, no Hub Criativo do beato, os desfiles de Nuno Gama, Carlos Gil, Gonçalo Peixoto, Valentim Quaresma e Dino Alves.

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Escrito por Comunicación Cultural

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