Foi a maior obra de engenharia do Portugal do século XIX. O Túnel e a Estação do Rossio levaram cinco anos a construir, e o projecto incluiu o acesso ao Carmo e o Hotel Avenida Palace.

Uma das várias publicações humorísticas que se editavam em Lisboa, no tempo da Primeira República, publicou um cartoon em que se via um janota a dizer para outro: “Parece que o buraco das Finanças Públicas já é maior que o Túnel do Rossio!”. Nos anos 60, a revista do Parque Mayer Aguenta-te, Zé! tinha um quadro em que Eugénio Salvador, no compère, contracenava com Carlos Coelho no papel de um transmontano que vinha pela primeira vez a Lisboa e não primava pela inteligência. A certa altura, Salvador virava-se para o público e dizia: “Este é tão estúpido, tão estúpido, que se lhe disserem que a Estação do Rossio é uma estação do ano, ele acredita!”.

Pátio das Antigas, Lisboa de Antigamente, Construção da Estação do Rossio, Comboios
©DR

Estes são apenas dois exemplos de como a Estação e o Túnel do Rossio se instalaram no imaginário alfacinha e entraram para o anedotário e para a história do humor em Portugal. As fotos destas páginas são documentos da sua construção, que constituiu a maior obra da engenharia portuguesa do século XIX, marcando a paisagem urbana e os transportes da capital. O Túnel do Rossio, parte da Linha de Sintra, que faz a ligação ferroviária entre o Rossio e Sintra, começou a ser construído em Maio de 1887 e foi concluído em 1890. Os operários que escavavam do lado do Rossio encontraram os que escavavam do lado de Campolide um ano depois do início dos trabalhos, em Maio de 1888. Tem 2613 metros de comprimento, oito metros de largura e seis de altura.

A Estação Central do Rossio, concebida em estilo neomanuelino pelo arquitecto José Luís Monteiro, começou a ser erguida em 1886 por uma empresa belga. Além do edifício e do túnel, foram também construídos a ligação para peões e viaturas à Calçada do Carmo e o Hotel Avenida Palace, para receber os viajantes que vinham nos comboios nacionais e internacionais, caso do célebre Sud Expresso. Foi inaugurada em 1890, mas o primeiro comboio a estrear o Túnel do Rossio atravessou-o a 8 de Abril de 1889. O trajecto demorou quase meia hora, dada a pouca velocidade que atingiam as locomotivas a vapor da época.

Apesar de a Estação de Santa Apolónia ter sido construída antes, em 1865, a Estação do Rossio foi, durante várias décadas, a estação central de Lisboa. Nos anos 50, foram feitas profundas obras de modernização, que incluíram a electrificação da via férrea, mas acabou por perder boa parte da sua importância quando os comboios de longo curso passaram para Santa Apolónia. Na década de 70 foi lá inaugurado o Centro Comercial do Rossio, que incluía um cinema, o Terminal, e que fecharia nos anos 90.

Lisboa de outras eras:

+ O Pátio das Antigas: A praia do garrafão

+ O Pátio das Antigas: Os castiços Palhinhas

+ OO Pátio das Antigas: O brilho de A Enceradora

Portuguese PT Spanish ES
0%