Vindos da Galiza, os moços de fretes encontravam-se por toda a cidade, dedicando-se ao transporte das mobílias dos alfacinhas que mudavam de casa.

Os moços de fretes, em grande parte galegos, que na Lisboa de antanho se encarregavam de fazer as mudanças dos alfacinhas e outros carregos, bem como de entregar os bilhetes amorosos dos apaixonados e dos amantes, ficaram imortalizados no cinema português em A Vizinha do Lado, de António Lopes Ribeiro (1945). No filme, um deles tem um inesquecível diálogo com o porteiro do prédio em que residem os protagonistas, interpretado por Ribeirinho, sobre um dos moradores, o “Senhor Saraivá”.

Com as indispensáveis cordas ao ombro, os galegos juntavam-se em pontos centrais da cidade, casos da Baixa, do Terreiro do Paço ou de Alcântara, e ainda nas esquinas dos bairros, à espera de quem os chamasse para um serviço como o da foto desta página, tirada na Calçada do Carmo, na segunda década do século XX, pelo francês Charles Chusseau-Flaviens (Colecção George Eastman House), onde dois deles transportam, numa padiola, a mobília de uma família que se está a mudar.

Além da corda e da padiola, outro dos elementos da panóplia do moço de fretes era o pau de carrego, que se punha nos ombros e lhes permitia transportar grandes pesos. E havia ainda o chinguiço, uma pequena almofada em forma de ferradura que era posta ao pescoço e aliviava o desconforto da carga, ajudando também a equilibrá-la. A proliferação das empresas de mudanças acabou por tornar esta profissão obsoleta.

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