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‘Somos Todos Camões’: aventureiros, criativos e cheios de sonhos

todaydiciembre 4, 2021 3

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‘Somos Todos Camões’: aventureiros, criativos e cheios de sonhos

Pouco se sabe com certeza sobre a sua vida. Terá nascido em Lisboa, recebido uma educação sólida, porventura estudado em Coimbra. Foi, diz-se ainda, um galanteador, embora as lendas atribuam à donzela Dinamene um lugar cativo no seu coração. E claro, aí finam-se as dúvidas, venceu a morte. Envolto em misticismo, vive n’Os Lusíadas, essa obra épica pela qual sobreviveu não a um naufrágio, mas à efemeridade do tempo. Com encenação de Rita Costa e texto de João Garcia Miguel, a partir de As Aventuras do Trinca-Fortes, de Adolfo Simões Müller, e de outros ensaios e biografias sobre a vida do poeta, Somos Todos Camões é um longo poema em prosa e música sobre a arte e a coragem de sonhar. “Aquela coisa que nos alarga cá dentro o peito e nos deixa fazer coisas grandes”, dir-nos-á a actriz Beatriz Gonçalves, acompanhada pelo músico Ricardo Martins e uma escrivaninha recheada de riquezas e febres. Para descobrir entre 4 e 12 de Dezembro, sábados, às 17.00.

O mundo é um palco. No centro deste globo maravilhoso, somos convidados a guiar-nos pela imaginação. O cenário é, por isso, reduzido ao essencial – e o quão surpreendente é aprendermos a ver para dentro e, cá fora, de alma aberta, desvendar segredos guardados em gavetas, capazes de dar novos mundos ao mundo. Em cena, um baterista cria uma colecção de sons e uma contadora de histórias interpreta as peripécias levadas a cabo pelo “príncipe dos poetas”, que manteve sempre, sobretudo em momentos de maior fraqueza, o seu espírito audacioso, independente e renascentista. “Esta personagem, que nos fala desse Camões, é também uma personificação do poeta que temos vindo a idealizar, daquilo que nós próprios somos e da possibilidade de sermos todos símbolo da mítica figura ‘em quem poder não teve a morte’”, desvenda a encenadora, no final de um ensaio.

Aproximando a imagem de Luís de Camões à de um homem deslumbrado com “uma coisa maior, que é a nossa humanidade” e que, de estrofe em estrofe, nunca se cansou de a procurar, a primeira produção do Teatro Ibérico convida-nos – grandes e pequenos – a projectar a nação futura sobre o qual o poeta versava. “O teatro também é isso, permitir ao espectador a possibilidade de construir”, assevera Rita Costa, destacando a fisicalidade de Beatriz Gonçalves, que se vai transmutando em palco e, até, saindo dele, com a quebra da quarta parede. “Além do texto, temos estas imagens que criamos, com o ritmo das palavras e do corpo, que nos induzem a inventar outras narrativas a partir das que nos contam.” As glórias e os infortúnios dos navegadores, o mundo a alargar-se em efeito borboleta, a boémia na rua e a intriga na Corte, a força de quem quer viver e em tudo vê coisas vivas, a fome a aguçar o engenho e os sonhos, os belos e os tenebrosos, que viram versos.

Num período assombrado, que nos impele a procurar a esperança por toda a parte, Somos Todos Camões desmistifica, por um lado, a ideia de herói e convoca-nos, por outro, a desempenhar o papel principal todos os dias. “Camões quis deixar-nos uma herança incrível sobre o que é viver plenamente e, de alguma forma, ser também observador e registar a vida através de uma grande capacidade poética”, acrescenta João Garcia Miguel, que assina o texto. “Neste momento, com a pandemia e a globalização, é importante tentarmos perceber como sermos todos um pouco mais poéticos e mais amantes, sem deixarmos que a adversidade se torne ódio. A peça também fala disso, da maleabilidade que cada um de nós tem de ter para se relacionar com os outros, de uma certa coesão criativa, de uma certa comunidade, que devemos praticar, enfim, aos tombos e aos trabalhões, porque um homem precisa de um homem mais criativo, que não seja apenas uma máquina, que queira perceber por que é que as coisas acontecem, assumir o medo e fazer nascer coisas bonitas das privações.” É, aliás, esse o maior exemplo que Luís de Camões nos deixou: “Estamos a falar de um homem que teve durante dois anos à fome, numa ilha em Moçambique, e nos escreveu um poema sobre a sua própria dificuldade.”

Teatro Ibérico. Rua de Xabregas 54 (Lisboa). 4 a 12 de Dezembro. Sáb-Dom 17.00. 5€. M/6.

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Escrito por Comunicación Cultural

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